Após a eleição, fiquei aguardando ansiosa o resultado da votação, não apenas para saber quem ganhou ou perdeu, mas para avaliar qual a leitura o eleitorado felixlandense fez diante de tanta informação nas redes sociais, na TV, no rádio e nos comícios local. Pois é mediante o resultado que saberemos o grau de conciência evolutiva do povo aqui de Felixlandia e porque não dizer do povo brasileiro. Bom, peguei o resultado via internet- tse, e pude perceber, que entra ano, sai ano, independente de quem ganha as eleições para a Prefeitura de Felixlândia, a Câmara Municipal trás a mesma configuração que teve nos últimos 17 anos. Durante as campanhas, surgem alguns blocos até bem definidos, levando a crer na existência de uma oposição. Vejamos, por exemplo os vereadores eleitos em 2008: Bloco Marconi- 04 vereadores- situação; bloco Betão: 05 vereadores - oposição.
No entanto o executivo andou e anda, leso, liso e frouxo e até os dias atuais não enfrentou nenhuma resistência por parte dos vereadores de oposição, teve aprovação de 99,9% dos projetos que encaminhou a Câmara Municipal, sendo apoiado mesmo pelos que não eram, ou pelo menos não seriam aliados. Com isso, a Câmara Municipal, demonstra uma postura subserviente ao executivo. A realidade é que o vereador depende de favor do prefeito, por isso não consegue fazer oposição de fato. É um quadro preocupante já que as Câmaras Municipais estão cada vez piores, cujos vereadores se entregam geralmente a projetos de menor relevância tais como, prestar homenagens - entregando título de cidadania honorária;declarando entidades de utilidade pública; mudando nome de rua.
É uma falta de qualidade e uma perda em relação a Câmara de tempos anteriores- refiro-me a1989/1992. O legislativo, em cidades pequenas, em geral não conseguem cumprir seu papel, falta maturidade política e até mesmo capacidade para o exercício do papel de legislador.
Da formação partidária às eleições, das coligações ao exercício dos mandatos tudo é feito com o intuito de levar vantagem e acaba virando um negócio. É preciso mobilizar a sociedade, os jovens e as redes sociais, para um debate político sem paixões, individualistas ou partidárias e com base em informações oficiais, para que se possa debater a cidade que queremos. É preciso também, organização dos partidos políticos locais, principalmente os de centro esquerda, da sociedade civil e Ongs, pois somente o embate, esse movimento tectônico, será capaz de produzir os efeitos necessários às mudanças na política de Felixlândia. Não há como negar a expectativa de mudança que o povo quer, como também não se pode ignorar a desqualificação do voto, implicita na condição da maioria dos eleitos. A obrigatoriedade do voto leva a enganos e a certeza da necessidade urgente de uma reforma política, enquanto a educação, ainda que com grandes avanços, não se tornar prioridade no país.